quinta-feira, 22 de julho de 2010

A VAREJEIRA


Na área de serviço de nossa casa no interior do Estado, sentado numa cadeira e com os pés apoiados em outra, ao sol, podia ouvir o som do bater de asas de duas borboletas brancas brincando ao ar, sentir o cheiro gostoso das frutas em cima da mesa e contemplar o colorido em vários tons de verde das árvores e, mesmo sendo inverno, muitas flores faziam daquela paisagem algo divino.
O êxtase daquele momento foi ainda maior quando, do meio das folhagens de uma das mangueiras que circulam o quintal, surge uma varejeira grande, luminosa, parecendo uma esmeralda devido aos raios de sol que tocavam seu corpo. Parou a uma distância de dois metros diante mim. Passaram-se alguns segundos e então fez cocô. Admirei a confiança dela em fazer algo tão íntimo na minha frente. Quantas pessoas no mundo tiveram o privilégio de presenciar algo tão sublime ou ser homenageado dessa forma? Como poderia retribuir a ela por presente tão nobre?
Sobre a mesinha, próximo a mim, ladeado por biscoitinhos, bolo, suco e chá, um livro de poesias de Fernando Pessoa, fino e portanto leve em seu peso. Peguei-o e num gesto de carinho e deitei-o sobre a varejeira que, de imediato, cedeu ao meu gesto e caiu em sono profundo próximo a um pequeno formigueiro, sobre a grama macia e delicada. Admirei-a, esperando que acordasse logo, mas para minha surpresa e alegria, contemplei mais uma linda cena. Formigas vieram ao seu encontro e logo ofereceram um cantinho em sua morada, para que repousasse melhor. Não permitiram sequer que ela se levantasse, carregando-a com seus bracinhos delicados, porém fortes. Telefone tocou...voltei...nem sinal dela. Dava pra ver que o formigueiro estava em festa pela movimentação externa. Visita! Acredito que a convidada tivera ido embora e numa atitude elegante deixou de presente às hospedeiras duas de suas asinhas e fora embora a pé.

sábado, 24 de abril de 2010

A FÉ


Quando passamos por alguma dificuldade a idéia principal e confortadora que vem à mente ou que nos aconselham é “ter fé”. Mas o que significa ter fé? Ou melhor, o que aprendemos desde criança sobre fé?
Desde cedo crescemos incentivados de que as coisas sempre podem melhorar, que devemos acreditar em nossa capacidade pra vencer obstáculos, que Deus é nosso refúgio e em quem devemos depositar nossa confiança. A parte mais complicada seria essa última, a de acreditar num ser que não vemos, não é palpável e que julgamos ser intocável, inacessível. O Todo Poderoso tomou ares de um Deus julgador, severo e até mesmo vingador. Quem não o segue, segundo a igreja, ao longo dos anos será sempre punido de alguma forma...tudo que acontece de errado na vida de alguém seria “castigo de Deus”.
Como um Deus que é amor seria capaz de castigar alguém? Que sentido faz isso? A fé está na confiança de que somos, acima de tudo, criaturas livres. Deus criou o homem e deu a ele liberdade. Essa liberdade, mal interpretada, fez com que surgissem as regras, as normas, as religiões, as hierarquias.
A religião, com o intuito de organizar esse Deus e falar em nome Dele, usa a lei para se fortalecer e controlar as pessoas de que precisa para sobreviver. Deus, ao contrário, nos dá a liberdade, em tudo, inclusive de agirmos e colhermos o que nossas ações geram. Se algo dá errado culpamos quem, na verdade, nos ama incondicionalmente e não o sabemos interpretar. Na verdade, Deus é simples: é amor. Independente de você querer ou não, Ele está por perto, o tempo todo, em qualquer situação.
A beleza da fé está em crer e sentir algo que não podemos ver. Ser confortado por um abraço que vai além da carne. É como o exercício do perdão. Perdoamos a mesma pessoa várias e várias vezes até que tiramos as mãos do pescoço dela. Perdoar não significa esquecer, como algumas pessoas pregam, mas livrar-se do sentimento da ira, da vingança. Tampouco ter de conviver próximo à pessoa que provocou o mal.
Diariamente nos deparamos com situações que vão de encontro à nossa fé. Quer sejam questões religiosas, problemas financeiros, problemas de saúde, sempre buscamos soluções antes mesmo de lançar a fé diante da questão. A fé de que as coisas vão se acertar, que a saúde vai se restabelecer...a fé de que você é capaz de produzir, conduzir e resolver a situação e, inclusive, a fé de que Deus está contigo, para o amparar, justificar, fortalecer e amar.
A falta de fé também é refletida na educação. O indivíduo que cresce num meio violento, por exemplo, não tem perspectiva de vida. O filho do traficante vai querer seguir os caminhos do pai, quer seja por conveniência ou simplesmente porque o meio não permite que vislumbre algo além do que ele vive cotidianamente. A fé, nesse caso, vem revestida do sentido da esperança, do sonho, do conhecer o que está além da realidade que lhe foi apresentada.
Acreditar, ter esperança e sonhar são requisitos da fé, além de confiar e apostar. Porém, acreditar, confiar e apostar não significa necessariamente ter fé, pois quem tem fé precisa nutrir um sentimento de afeição e até mesmo amor pelo que acredita, confia e aposta. Inclusive não precisa estar ligada a qualquer evidência racional. Quem sonha precisa acreditar e ter esperança de que será realizado. Quem deposita sua fé em Deus ainda leva a garantia de que não está sozinho na busca. Se for boa, Ele celebra contigo; se for ruim, Ele está presente para confortá-lo.
Uma ótima sugestão de leitura é A Cabana, do autor William P. Young. Uma linda história e diálogos esclarecedores entre os personagens: Mack, Deus, Jesus e o Espírito Santo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Você é humilde ou "se acha?"


Uma coisa é fato: ninguém gosta de ficar perto de gente pretensiosa, arrogante...que “se acha” muita coisa além do que realmente seja; ou que, mesmo sendo, não sabe lidar bem com a questão. Isso se define como falta de humildade.
A palavra humildade, que vem do latim humus e que significa “filhos da terra” ou “terra fértil pronta pra receber a semente” refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. A Humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão. Sendo a humildade uma virtude de quem é humilde, quem se vangloria da sua mostra simplesmente que lhe falta, dando lugar, inclusive, à vaidade. Sendo o orgulho o avesso da humildade, vemos a figura do soberbo, que vai contra tudo o que a humildade significa.
Ser humilde não é ser bobo, tolo, servil, fraco ou passivo aos outros. Na verdade é justamente o contrário; ter consciência do que somos e saber se posicionar diante das situações de forma coerente. Estar pronto a aprender e compartilhar conhecimento é a atitude correta de alguém humilde, sem se vangloriar do que sabe ou se colocando acima de toda e qualquer verdade; Assumir, inclusive, seus erros e culpas sem resistência.
Os falsos humildes chegam a se rebaixar perante os outros querendo se passar por humildes, mas, na verdade, estão cheios de ressentimentos, inveja ou ambição.
O verdadeiro humilde é consciente da sua vida. Sabe suas limitações, não se entristece por isso e nem se inferioriza. Trabalha para que se aperfeiçoe física, moral e espiritualmente.
Uma pessoa soberba, orgulhosa segue por caminhos contrários da humildade. Costuma, inclusive, vestir uma capa de falso humilde para tentar circular naturalmente na sociedade.
Ter humildade é exercitar o interesse em aprender com o próximo, compartilhar o que sabe e colocar-se de forma decente e coerente diante das questões que lhe são apresentadas.
Ser humilde é ter consciência de que qualquer cargo, função, status de poder e financeiro é, normalmente, passageiro. Lembrando que a morte é, para todos, o fechamento inevitável da vida. Você é um ser humano, com limitações, tendo dinheiro ou não, o final é o mesmo. O cargo não é seu, você está nele. Você ocupa, simplesmente, uma função, sendo superior na hierarquia ou não, porém, na próxima esquina, fora do seu ambiente de trabalho, pouco sabem ou nada sabem sobre quem você é na empresa, instituição, comércio etc. Voltou a ser um cidadão comum, desconhecido e sujeito a qualquer ação externa.
As pessoas que se acham possuem, em sua maioria, uma necessidade grande de auto-afirmação e se utilizam disso pra tentar humilhar quem está por perto ou se vangloriar de suas ações, conquistas etc. São vaidosos, querendo chamar atenção pra si, querendo ser aplaudido e reverenciado perante os outros. Não se trata de como se veste, anda, se enfeita, fala (saudáveis e naturais), mas do que está por baixo disso: o desejo de exibição, da necessidade de ser visto a ponto de falsificar a si mesmo para chamar a atenção.
Uma pessoa humilde quando comete um erro, diz: "eu me equivoquei", pois sua intenção é de aprender, de crescer. Mas quando uma pessoa orgulhosa comete um erro, diz: "não foi minha culpa", porque se acha acima de qualquer suspeita.
A cantora Cher disse certa vez que “por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima”. Para os que não exercitam a humildade e se acham, peço só que se lembrem de que o buraco existe e é inevitável. Ser bom não é mérito, é obrigação. Humildade não é dom, é sinônimo de boa formação de caráter, temor a Deus, a vida e ao próximo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Saudade...



Não há um dia em que não pense em abrir o computador e ler:
"Saudades, lindão!" "Saudades, cabeçudo!""Saudades, moço!""Saudades..."
Talvez eu não tenha dado tempo à saudade;
Talvez eu não tenha dado espaço para que sentisse saudade;
Talvez não exista mesmo a saudade;
Talvez nunca tenha sentido...saudades.
No fim das contas, a saudade, apesar de dolorida, é uma coisa boa; Quer dizer que foi importante...que marcou...que ainda é especial.
Prefiro não dar espaço pra que sintas saudades do que ausentar-me como amigo...
Portanto, digo:"Tô aqui!Saudades!"

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eu Acho...


Quando nos propomos a expressar nossos pensamento e opiniões a respeito de algum assunto, devemos ter cuidado ao utilizar a famosa frase: “eu acho que...” Essa cultura de comentar sem propriedade, sem conhecimento, deduzindo pela experiência pessoal algo que não tem certeza é sobremaneira deselegante e desonesta.
Quem “acha” não tem certeza sobre o que está sendo tratado ou exposto. Diferente de quando diz : “penso que...”, quando ,aí sim, está demonstrando como se posiciona a respeito da questão. Mesmo porque quem acha, ainda está procurando uma certeza de onde é a rua, que medicamento pode ser utilizado, o sobrenome do vizinho, qual o valor da taxa, o nome do hospital, o número do telefone, o nome do pai da namorada...
Quando não temos certeza sobre determinado assunto ou informação, devemos dizer que não sabemos ou simplesmente não opinar. É muito mais digno, honesto, educado não dar opinião se não há um fundamento.
O achismo torna-se uma arma, mesmo de forma inconsciente. Dizer o que acha de alguma coisa não faz dela uma verdade absoluta. No caso, é a sua verdade ou o que quer que os outros pensem que seja a verdade.
Um exemplo comum: “O tigre é o animal mais lindo de todos”, Essa é a sua opinião, a sua verdade, e não necessariamente a verdade coletiva e absoluta. O “achar” pode ser visto como crime, a partir do momento em que coloca em risco e dúvida a idoneidade e a vida de alguém. Julgar pessoas com base em achismos é extremamente perigoso. Claro que ter opinião é direito de todo mundo, é a sua voz expressando o que pensa sobre determinado assunto, porém há de se observar que isso não torna o fato verdadeiro ou simplesmente lúcido, implicando, inclusive, com a vida de terceiros. Lembrando que verdade não se impõe, que cada um tem a sua, e que deve ser medida, pesada com base na coerência. A não ser, é claro, que você tenha sido testemunha ocular do fato.
Quem sabe sobre um fato diz com convicção e tem fundamentos ao se expressar...houve base, pesquisa. Diferente de quem acha que sabe...
Achismo, quando estamos querendo saber a opinião de alguém sobre algo, não é errado. O problema está quando há imposição do que pensa ou supõe saber. Quando isso vai de encontro à ciência, por exemplo...afinal, todos pensam ser médicos, físicos, químicos, professores, juízes esportivos e por aí vai...
O assunto é discutível. “Acho que foi Maria quem bateu em Zezinho” soa como intriga, fofoca...”Penso que Maria bateu em Zezinho”, expressando assim uma opinião mais consistente e segura do fato. Quando digo: “Acho que todos devem ser felizes” não passo a mesma segurança quando digo que “penso que todos devem ser felizes”. No segundo exemplo, a palavra “penso” tem um peso mais forte, no sentido de “acredito” e não de dúvida, como o “achar”, que também expressa o pensamento mas que soa duvidoso. Daí temos agora uma questão intrigante: a forma de como são ditas as palavras “acho” e “penso”...a entonação. Fato também de que o “acho” ficou desacreditado... "Torceram tanto o nariz pro acho que agora eu acho que achar é errado". Uma batalha entre “acho” versus “penso”.
E não falamos de uma outra forma de achismo...o das pessoas que se acham superiores por ocuparem algum cargo de destaque, se acham mais bonitas, mais interessantes, mais espertas, mais elegantes, mais inteligentes, mais engraçadas, ricas, independentes, pudicas, santas, donas da razão... Esquecem, muitas vezes que não são, mas estão somente ocupando cargos, gerenciando pessoas, trabalhos...e que podem ser substituídas, excluídas ou ainda ter seu mandato encerrado, mesmo pelo tempo.
O que dizer sobre tudo isso? Apenas o que eu “acho”: pratique o uso do bom senso...sempre!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Tarde no Parque...





Patos e peixes no lago...cheiro de pipoca doce e salgada...churros....sorvete...casais namorando...amigos papeando...jovens...adultos...crianças brincando...assim é o Parque Moscoso, localizado no centro de Vitória-ES.
Sexta-feira dessas, levei um livro pra ler (Adeus, China) sentado numa das mesinhas de lá...como faço, volta e meia. Que delícia!!!
Super seguro, com guardas nas entradas. Ouve-se pássaros cantando em meio às árvores e jardins...e ainda, um casal de araras que sempre aparece...rasgando o céu com seus gritos, nos finais de tarde.
O tempo foi passando e uma música alegre tomou o parque...era um baile mais voltado pra terceira idade que estava acontecendo lá dentro. Porém, muitos jovens também estavam ali se divertindo. As senhorinhas todas muito bem arrumadas, perfumadas, vaidosas...dançando, esperando um par, ou sentadas papeado com amigos... continuei a ler... a música parou...o parque iria fechar. 22 horas. Tinha de sair. Que tarde e noite agradáveis. Vale a pena conhecer esse lugar...tão discriminado ainda pelos próprios moradores de Vitória....que não sabem o quanto é bacana morar no centro da cidade.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Etiqueta da Amizade..


Já reparou como as pessoas não levam a sério quando você está sofrendo por amor por conta de uma separação, ausência, briga ou mesmo luto...?
É um dos males que mais tenho tato quando um amigo, principalmente, está passando por isso...
Mal de amor dói...dói demais...é uma dor alucinante ...tanto que muitos preferem não arriscar mais, depois que passam por isso.
Mas é fato que raros são os que nos “ouvem” de verdade, com seriedade...atentos e solidários ao que estamos sentindo...
O que mais dizem é que “ vai passar”...mas é claro que vai passar...uma hora passa, ou ameniza...porém, a dor no momento é descomunal...difícil descrever porque é algo próximo a uma mistura de dengue, picada de escorpião e taquicardia....isso em se tratando de dor física porque a emocional não conseguimos chegar perto de uma descrição plausível.
“Vai passar”, mas é como uma doença...dolorosa...e merece ser vista com atenção, cuidados, tato...precisa ser tratada...às vezes medicada e, acima de tudo respeitada...afinal, em algum momento, todo mundo já sofreu ou vai sofrer por amor na vida...
Portanto, amigos, antes de dizerem a alguém que “vai passar”, verifique se sua frase está acompanhada de uma boa dose de sinceridade, sensibilidade, carinho e respeito...Medir o que dizer é sempre bom... afastar-se é covardia...e amar o amigo é também demonstrar com um sorriso, um abraço, que você está ali...dolorido com ele...é um gesto, no mínimo, de humanidade.
Quem está sofrendo por amor não deve ser submetido a coisas do tipo: “Vamos sair pra beber todas! “Saia com alguém!” “Lute pelo que é seu!” “Vai passar, vai passar, vai passar”!...Nada disso consola, galera...e isso não é conselho de amigo...nem tão pouco ficar arrumando “parceiros” pro amigo sofrido...
Vamos estar de olho na Etiqueta da Amizade?...e como sempre digo: use o bom senso!
Bjs.